VERBALIZAR

Abrir, olhar, coçar, levantar, andar.

Lavar, escovar, escovar.

Esperar, viajar, ler.

Comprar, descer, descer, subir, subir, andar, subir.

Comer, navegar.

Trabalhar.

Tremer, gritar, chorar, sonhar.

Trabalhar.

Navegar.

Comer.

Falar, falar, cantar.

Trabalhar. Ler. Criar.

Navegar.

Descer, descer, descer, subir, subir.

Viajar, ler.

Andar, cantarolar.

Assistir, conversar, comer.

Assistir.

Ler.

Deitar.

Pensar, pensar, pens... dormir.

 

 

LOST: se o Paulo (Rodrigo Santoro) está tão egoísta quanto a Shannon e tão cri-cri quanto a Ana Lucia e se sente tão excluido quanto o Artz, isso significa que ele vai morrer logo, né? Uma pena...

Sofre Pablo, sofre Priscila

Pablo fica ali sentado com sua cara de palhaço, se achando o dono do mundo por não confiar em ninguém. Ele apenas respira fundo diante de algum sentimento de auto-piedade que por ventura o acometa e sorri vazio até a próxima aventura. Ele conta o tempo em suas bitucas de cigarro porque só assim se lembra que é mortal. Sua musica é tudo menos cultura e entretenimento, e ele a usa mais como arma mesmo. Encanta, joga a isca, fisga, tempera, cozinha e janta, descarta a cabeça, as escamas, os espinhos... pra ele as meninas são isso: REFEIÇÃO. Seu maior medo é se apegar demais, então ele deixa que se apeguem e depois chuta, só pra não esquecer. Com seu sorriso ele faz escambo e é assim que consegue cama, comida, banho, amigos e mordomia. Os dias passam e ele vai se perdendo do sonho de ser alguém importante, amado por sua nobreza e seu caráter, mensageiro de boas notícias, odiado pelos embaixadores do mal. Sentado na poltrona de couro velho da sala, apoiando as mãos nos joelhos ele vê suas botas sujas, o jeans rasgado, a camisa cara e o seu gato caminhando sobre o DVD. O dia acabando e Pablo quase no escuro olha os livros e os CD’s, o controle remoto e as marcas dos copos na mesinha de centro onde agora estão também seus pés. Passa a mão no cavanhaque e tenta descobrir o que está deixando passar, porque o vazio ronca no seu peito feito fome e ele não entende o que aconteceu.

Não longe dali, Priscila chora até dormir em seu quarto, com suas pantufas de ursinho. Não consegue aceitar que faz uma semana e seu corpo ainda treme. Teme, pobre Priscila, que seu amado e ela não possam ficar juntos pois seria preciso que ele abandonasse 2 ou 3 vícios e assim perderia seu charme boêmio. Ela tem pesadelos com as gatinhas que perseguem o rapaz. Espreita pelas paredes porque pretende assim descobrir se ele liga ou se não dá a mínima, como se numa canção que ele cantasse ou naqueles sonhos rasinhos ele fosse soltar as tão desejadas palavras que confessassem sua paixão. A esperança de Priscila é de que um dia Pablo enxergue que ela é a mulher da sua vida.

 

Sim, eu também posso um dia escrever um tango. Mas é que eu fico imaginando como é que alguém pode se apaixonar e achar que isso é bom. Fico com a música deliciosamente interpretada por Luciana Melo que diz:

A vida continua
Mesmo longe de você
Por mais falta que você me faça
Tudo passa
Isso também vai passar
...”
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Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, Mulher, de 20 a 25 anos, publicidade, evangélica
MSN - owner_absurdos@hotmail.com

 
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